Você provavelmente já encontrou investimentos que prometem render 100%, 110% ou 120% do CDI. Esses percentuais aparecem em CDBs, Letras de Câmbio, contas remuneradas e outros produtos de renda fixa, mas nem sempre deixam claro quanto o dinheiro pode render de verdade.
Neste artigo, você vai entender o que significa o percentual do CDI, como estimar o rendimento de uma aplicação e quais condições precisam entrar na comparação antes de investir.

O que é CDI?
CDI é a sigla para Certificado de Depósito Interbancário. Ele está relacionado a empréstimos de curtíssimo prazo realizados entre instituições financeiras.
De onde vem o CDI?
Ao final do dia, uma instituição pode estar com recursos disponíveis, enquanto outra precisa ajustar o próprio caixa. Para equilibrar essa diferença, elas realizam operações entre si, geralmente com prazo de um dia útil.
A média ponderada dos juros praticados nessas operações forma a Taxa DI, calculada e divulgada pela B3. Ela é uma das principais referências dos investimentos de renda fixa no Brasil.
Tecnicamente, CDI e Taxa DI não são a mesma coisa. O CDI é o título utilizado na operação entre as instituições, enquanto a Taxa DI representa a média dos juros cobrados.
No dia a dia, porém, o mercado costuma chamar a Taxa DI simplesmente de CDI. Por isso, quando uma aplicação informa que rende 100% do CDI, significa que sua rentabilidade acompanha essa taxa de referência.
Na prática, a Taxa DI costuma ficar próxima da meta da Selic, geralmente cerca de 0,10 ponto percentual ao ano abaixo dela.
O que significam 100%, 110% ou 120% do CDI?
Um investimento que rende 100% do CDI acompanha integralmente a Taxa DI.
Se uma aplicação oferece 105% do CDI, seu rendimento corresponde a 1,05 vez a taxa de referência. Isso não significa cinco pontos percentuais adicionais.
Em um exemplo simplificado, se o CDI permanecesse em 10% ao ano:
-
100% do CDI equivaleria a aproximadamente 10% ao ano;
-
105% do CDI equivaleria a aproximadamente 10,5% ao ano;
-
110% do CDI equivaleria a aproximadamente 11% ao ano;
-
120% do CDI equivaleria a aproximadamente 12% ao ano.
Esses valores seriam brutos, antes do desconto de impostos e de eventuais taxas.
A Taxa DI varia ao longo do tempo e pode ser consultada nos indicadores financeiros divulgados pela B3. Por isso, uma simulação feita hoje pode apresentar resultado diferente de outra realizada alguns meses depois.
Também é importante observar as condições da aplicação. Percentuais mais altos costumam vir acompanhados de condições mais restritivas: prazo maior, valor mínimo mais elevado, limite de rentabilidade ou ausência de resgate antecipado.
CDI e Selic são a mesma coisa?
Não. As duas taxas têm funções diferentes, embora costumem seguir movimentos próximos.
A Selic é a taxa básica de juros da economia. Sua meta é definida pelo Comitê de Política Monetária, o Copom, e influencia os juros cobrados no crédito e os rendimentos de diversos investimentos.
A Taxa DI é calculada a partir das operações de curtíssimo prazo realizadas entre instituições financeiras.
Quando a Selic sobe, a Taxa DI geralmente acompanha esse movimento. Quando a Selic cai, a Taxa DI também tende a diminuir.
Para o investidor, a consequência é simples: o rendimento de uma aplicação pós-fixada ligada ao CDI pode variar ao longo do tempo.
Quanto rende o CDI na prática?
Para estimar o rendimento, é preciso reunir quatro informações:
-
valor aplicado;
-
percentual do CDI oferecido;
-
prazo da aplicação;
-
impostos e eventuais taxas.
Em uma conta simplificada, a taxa estimada do investimento pode ser encontrada assim:
Taxa DI do período × percentual do CDI oferecido
Se a Taxa DI usada na simulação for de 10% ao ano e o investimento pagar 105% do CDI:
10% × 1,05 = 10,5% ao ano
Essa é uma aproximação. Na prática, a Taxa DI pode mudar durante o período, e o rendimento é acumulado conforme as regras de cada produto.
Além disso, o CDI é capitalizado em dias úteis; a multiplicação direta das taxas anuais serve apenas para ilustrar a ordem de grandeza.
Exemplo: aplicação de R$ 5.000 por um ano
Considere uma aplicação única de R$ 5.000 mantida por 12 meses em um produto que renda 105% do CDI.
Para facilitar a conta, vamos imaginar que a Taxa DI permaneça em 10% ao ano durante todo o período.
| Investimento inicial | R$ 5.000,00 |
| Rentabilidade bruta aproximada | 10,5% |
| Rendimento bruto | R$ 525,00 |
| Saldo antes do IR | R$ 5.525,00 |
| IR estimado sobre o rendimento | R$ 91,88 |
| Saldo líquido estimado | R$ 5.433,12 |
A simulação considera uma alíquota de 17,5% de Imposto de Renda sobre o rendimento, aplicável ao intervalo de 361 a 720 dias.
Os valores são ilustrativos e não representam rentabilidade garantida; o resultado real depende da trajetória da Taxa DI, do prazo exato e das regras específicas do produto.
Como IR e IOF afetam o rendimento?
Em muitos investimentos de renda fixa, o Imposto de Renda incide apenas sobre o rendimento, e não sobre o valor aplicado.
A tabela regressiva funciona da seguinte maneira:
-
até 180 dias: 22,5%;
-
de 181 a 360 dias: 20%;
-
de 361 a 720 dias: 17,5%;
-
acima de 720 dias: 15%.
Quanto maior o prazo, menor é a alíquota aplicada ao rendimento.
O IOF também pode ser cobrado quando o resgate acontece antes de 30 dias. A cobrança diminui a cada dia e chega a zero no trigésimo dia. Nos primeiros dias, ele pode consumir grande parte do rendimento: no 1º dia, chega a cerca de 96% do ganho; a partir do 30º dia, zera.
Algumas aplicações podem seguir regras tributárias diferentes (como LCI, LCA e alguns fundos). Por isso, antes de investir, é necessário verificar a tributação vigente e comparar o valor líquido estimado.
Como saber se um investimento atrelado ao CDI vale a pena?
O percentual anunciado não deve ser analisado sozinho.
Uma aplicação que rende 120% do CDI pode exigir que o dinheiro permaneça investido por mais tempo. Outra pode oferecer um percentual menor, mas permitir acesso mais rápido ao valor.
Antes de decidir, compare:
-
rendimento líquido;
-
prazo de vencimento;
-
condições de resgate;
-
valor mínimo;
-
impostos;
-
eventuais taxas;
-
instituição emissora;
-
cobertura do FGC.
Por que a liquidez é importante?
Liquidez é a facilidade de resgatar o investimento e transformar o valor novamente em dinheiro disponível.
Para uma reserva de emergência, por exemplo, não basta procurar o maior rendimento. É necessário saber se o dinheiro poderá ser retirado quando surgir um imprevisto.
Também vale verificar como o resgate funciona. Uma aplicação pode ter liquidez diária, mas exigir uma solicitação e um prazo para o dinheiro chegar à conta.
Como funciona a cobertura do FGC?
O Fundo Garantidor de Créditos oferece cobertura para determinados produtos emitidos por instituições associadas.
O limite é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro. Também existe um teto global de R$ 1 milhão em garantias pagas dentro de um período de quatro anos.
Se você tiver mais de R$ 250 mil em produtos protegidos na mesma instituição (ou conglomerado), o excedente não terá garantia do FGC.
A cobertura não vale para todo tipo de investimento. Antes de aplicar, confirme se o produto está entre os instrumentos protegidos e se o valor respeita os limites do fundo.
CDI ou poupança: como comparar?
A poupança é isenta de Imposto de Renda para pessoa física e permite resgates. Seu rendimento, porém, segue uma regra própria.
Para os depósitos sujeitos à regra atual:
-
quando a meta Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais TR;
-
quando a meta Selic está igual ou abaixo de 8,5% ao ano, rende 70% da Selic mais TR.
O rendimento é creditado na data de aniversário do depósito. Se o valor for retirado antes dessa data, ele não recebe a remuneração correspondente àquele período.
Em muitos cenários, uma aplicação atrelada ao CDI com percentual competitivo tende a render mais que a poupança, especialmente quando se considera o rendimento líquido após impostos. A comparação, porém, deve considerar o rendimento líquido, os impostos, a liquidez e o prazo.
CDB e Letra de Câmbio: qual é a diferença?
CDB e Letra de Câmbio são investimentos de renda fixa usados pelas instituições financeiras para captar recursos.
O CDB é um depósito a prazo que pode ser emitido por instituições autorizadas, incluindo bancos e financeiras. Já a Letra de Câmbio é um título emitido especialmente por financeiras para captar recursos utilizados em suas operações de crédito.
Para quem investe, além do tipo de produto, é importante comparar rentabilidade, prazo, liquidez, valor mínimo, tributação e condições de resgate.
E a Letra de Câmbio da Finamax?
A Letra de Câmbio da Finamax é um investimento de renda fixa com rendimento pós-fixado, definido por um percentual do CDI no momento da aplicação.
É possível começar a investir com R$ 100. O produto tem liquidez diária, com resgate solicitado à Finamax ou aos seus correspondentes, não cobra taxa de administração e conta com cobertura do FGC dentro das regras vigentes.
Quais perguntas fazer antes de investir?
Antes de escolher uma aplicação atrelada ao CDI, procure responder:
-
Quanto ficará depois dos impostos e das taxas?
-
Quando o dinheiro poderá ser resgatado?
-
O produto tem cobertura do FGC e está dentro dos limites?
Essas informações permitem comparar opções diferentes sem considerar apenas o percentual anunciado.
Conclusão
O CDI é uma das principais referências da renda fixa brasileira. Entender o que significam percentuais como 100%, 110% ou 120% do CDI ajuda a interpretar as ofertas e a estimar o rendimento de uma aplicação.
O percentual, porém, não mostra sozinho quanto o investidor receberá. O resultado também depende da variação da Taxa DI, do prazo, dos impostos, da liquidez e das condições do produto.
Uma comparação responsável considera o rendimento líquido e verifica se o investimento é compatível com o objetivo e com o prazo em que o dinheiro poderá permanecer aplicado.
Para colocar isso em prática, experimente simular diferentes cenários em uma calculadora de CDI antes de decidir onde investir.
Gostou de aprender sobre o assunto? Siga nossos perfis nas redes sociais: Instagram, Facebook, LinkedIn, YouTube e TikTok para continuar se informando sobre planejamento das finanças!