A inflação inercial é um processo que afeta o dia a dia das famílias de forma contínua e progressiva. Mesmo sem mudanças bruscas na economia, os preços seguem sendo reajustados ao longo do tempo, influenciando os custos de vida e o planejamento financeiro das pessoas.
Essa situação costuma gerar dúvidas porque não está ligada, necessariamente, a crises econômicas ou desabastecimento. Ainda assim, os seus efeitos são sentidos no orçamento mensal, principalmente quando despesas fixas passam por correções periódicas.
Diante desse cenário, vale a pena entender o conceito de inflação inercial. Confira neste conteúdo como ela funciona, qual é o impacto financeiro dela no seu bolso e como lidar com essa questão!
O que é inflação inercial?
A inflação inercial é um processo econômico que ocorre quando os preços continuam subindo devido à repetição de reajustes baseados na inflação passada. Nesse cenário, os aumentos acontecem mesmo sem a entrada de novos fatores econômicos relevantes.
Esse tipo de inflação está relacionado a como contratos e preços são atualizados ao longo do tempo. Aluguéis, mensalidades e serviços, por exemplo, costumam ter correções periódicas previstas em contrato, mantendo a inflação ativa dentro da economia.
Na prática, a inflação inercial é um processo que se sustenta pela continuidade, mesmo que aconteçam melhorias no cenário econômico. Ela está ligada ao chamado efeito memória da inflação passada.
Quais as diferenças entre inflação comum, inflação inercial e hiperinflação?
A inflação comum acontece quando há um aumento generalizado de preços por fatores como crescimento do consumo ou aumento de custos. Geralmente, ela responde com mais rapidez às políticas econômicas.
Já a inflação inercial, como explicado, ocorre por causa de mecanismos automáticos de reajuste. Mesmo quando os fatores mencionados perdem intensidade, os preços continuam sendo corrigidos com base em índices anteriores.
Enquanto isso, a hiperinflação representa um cenário extremo. Nesse caso, os preços sobem de um jeito acelerado e descontrolado, em intervalos muito curtos.
O Brasil, por exemplo, viveu um período de hiperinflação entre o final da década de 1980 e o início dos anos 1990. A inflação anual chegou a 6.000%, segundo registros históricos do período. Apenas para comparação, nos últimos anos, ela tem ficado, em média, entre 4,0% e 5,0% ao ano (a.a.).
Como a inflação inercial se estabelece na economia?
A principal base da inflação inercial são os índices usados como referência para reajustar contratos, criando uma sequência de correções ao longo do tempo.
Quando um setor reajusta os seus valores, outros acabam seguindo o mesmo caminho. Diante disso, o aumento de um custo inicial se espalha pela economia, mantendo o ciclo de inflação ativo.
Quando um aluguel sobe, o comércio ajusta preços para compensar o custo maior. O prestador de serviços, por sua vez, repassa esse aumento para o consumidor final. Assim, os reajustes se multiplicam e mantêm a inflação presente na economia.
Além dessa questão, muitas vezes, as expectativas influenciam esse processo. Empresas e trabalhadores se preparam para futuros aumentos, o que reforça a continuidade dos reajustes e mantém a inflação presente no cotidiano.
Quais são os impactos da inflação inercial no seu bolso?
O impacto mais perceptível da inflação inercial é a redução gradual do poder de compra das pessoas. Mesmo aumentos moderados, quando frequentes, diminuem a capacidade de arcar com despesas mensais.
Gastos fixos costumam concentrar grande parte desse impacto. Por exemplo, aluguel, escola, planos de saúde e serviços essenciais geralmente passam por reajustes. Quando a renda não acompanha esse ritmo, o orçamento precisa ser ajustado.
Com o tempo, os custos de vida aumentam e comprometem o equilíbrio financeiro. Como resultado, compras básicas, transporte e serviços do dia a dia passam a representar uma parcela maior da renda, afetando as finanças pessoais e familiares.
É comum que o reajuste salarial não acompanhe o ritmo do aumento de preços. Isso faz com que o orçamento fique mais apertado, exigindo escolhas mais cuidadosas e maior disciplina financeira.
Por que a inflação inercial não é combatida com rapidez?
Diferentemente de outros tipos de inflação, a inercial não depende apenas do nível de oferta ou demanda ou de políticas monetárias, como ajustes na taxa Selic. Afinal, ela está ligada a contratos firmados e a expectativas sobre o funcionamento da economia.
A redução dessa categoria de inflação demanda mudanças estruturais e estabilidade econômica, o que costuma acontecer aos poucos. Por esse motivo, os seus efeitos permanecem por mais tempo.
Enquanto esse processo acontece, as pessoas continuam lidando com reajustes previsíveis, mas constantes, que afetam os preços e exigem maior organização financeira.
Como reduzir os efeitos da inflação inercial no seu orçamento?
Mesmo sem controle direto sobre a inflação inercial, é possível adotar algumas medidas para diminuir os seus impactos no seu orçamento. A primeira delas é conhecer bem as suas despesas e identificar quais sofrem reajustes periódicos.
A negociação de contratos, quando viável, também é uma prática que ajuda a manter o equilíbrio financeiro. Nesse ponto, é interessante avaliar prazos e condições para evitar aumentos acima do que você consegue pagar.
Além dessas ações, outra orientação é manter uma reserva de emergência. Ela oferece mais segurança e tranquilidade. Esses cuidados reduzem o impacto de reajustes inesperados e fortalecem as finanças em cenários de inflação.
Qual é o papel do planejamento financeiro nesse contexto?
Em situações de inflação persistente, o planejamento financeiro ganha ainda mais importância. Ele permite antecipar despesas, reorganizar prioridades e manter o orçamento sob maior controle. Ao acompanhar e revisar os seus gastos, você pode identificar excessos e oportunidades de ajuste.
Assim, tem como preservar a sua estabilidade financeira sem comprometer a sua qualidade de vida. Em um cenário de inflação inerte, o planejamento financeiro deixa de ser apenas uma organização mensal e passa a ser uma ferramenta de proteção contra a perda do poder de compra.
Com as informações deste conteúdo, você conferiu o que é inflação inercial, como ela funciona e como impacta o bolso de indivíduos e famílias. Ao compreender esse movimento, fica mais fácil planejar gastos, ajustar o orçamento e lidar com reajustes frequentes de maneira mais adequada.
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